quarta-feira, 18 de novembro de 2020

A Guerra do Contestado

A Guerra do Contestado foi um conflito entre a população sertaneja e as autoridades municipais e estaduais do Paraná e Santa Catarina ocorrido entre os anos de 1912 a 1916 envolvendo cerca de 20 mil camponeses.



Por volta de 1900 o governo brasileiro contrata uma empresa norte-americana para construir uma estrada de ferro.

Uma ferrovia para ligar São Paulo ao Rio Grande do sul. Com a construção da ferrovia milhares de camponeses perderam suas terras, pois a empresa recebeu de presente do governo uma faixa de terra de 30 quilômetros de largura em quase toda a extensão da ferrovia. 

Outro agravante foi que após o termino da construção mais de 8 mil trabalhadores contratados para as obras foram demitidos. Estes desempregados e a miséria crescente na região formaram um clima de revolta fértil para surgimento de pregadores messiânicos. Diante da crise e da insatisfação popular, ganhou força a figura do beato José Maria.  Suas ideias bíblicas e histórias medievais conquistaram a simplicidade dos sertanejos.

Ele pregava a criação de um mundo novo, regido pelas leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com prosperidade, justiça e terras para trabalhar.

José Maria reúne 2 mil seguidores no acampamento e funda uma sociedade sem comércio e sem propriedade privada, formada principalmente por camponeses sem terras.

O governo Incomodado com o movimento envia policiais e soldados do exército para o local, com o objetivo de acabar com o movimento.

As tropas invadem o acampamento, mas são rechaçadas pelos sertanejos. Armados de espingardas de caça, facões e enxadas, os camponeses resistiram as forças governistas. José Maria morre na batalha, mas se transforma em mito.

 Na sequência os sertanejos conseguem vencer sete expedições militares.

Em 1914 os rebeldes matam em batalha o capitão do exército Mattos Costa. Então o governo organiza uma grande operação para esmagar os sertanejos.

Entra em cena o General Setembrino de Carvalho com mais de 7 mil homens muito bem armados inclusive com aviões de reconhecimento.

Em 1916, os últimos redutos se rendem

As classes dominantes mantem seus privilégios, os rebeldes são massacrados e um saldo de 20 mil mortos escurece mais um período da história do Brasil.

O contestado não teve a visibilidade pública que tiveram outros movimentos sertanejos. O próprio estado catarinense nunca quis transformar o contestado em algo memorável.

A oligarquia local resolveu esconder o contestado para construir a imagem de um estado branco ao estilo europeu. A divulgação do conflito mostraria um Brasil muito caboclo, moreno e mestiço.

O ensino de história durante muitas décadas simplesmente ignorou esse conflito de grandes proporções.

 


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