sábado, 28 de novembro de 2020

A Guerra de Palmares

Para entender o que foi a A Guerra de Palmares primeiro temos de considerar que aA história do Brasil passa pela história da escravidão. Cerca de 12 milhões de africanos foram arrancados de suas terras e trazidos como escravos para trabalhar no Brasil.

Neste período, o mais triste de nossa história, A Guerra de Palmares foi um grito de liberdade. Os escravos fogem dos engenhos e se refugiam em acampamentos na mata chamados Quilombos.

Palmares foi o maior Quilombo da história da colonização brasileira e também de toda a América Latina. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A Coluna Prestes

A Coluna Prestes foi um movimento de revolta organizado por tenentistas que percorreu o Brasil entre 1925 e 1927 combatendo as tropas dos governos da Primeira República.

Foi um momento épico da história do Brasil e é considerada a maior marcha revolucionária do mundo.

A década de 1920 foi marcada no Brasil pelo movimento tenentista, uma série de revoltas militares contra a República Velha que envolveu jovens oficiais das forças armadas. 

Em 1922 ocorreu a Revolta do Forte de Copacabana e em 1924 Revolta Paulista.

Na Revolta Paulista os tenentistas chegaram a ocupar a capital por cerca de três semanas. Parte da população adere ao movimento. Lojas são saqueadas. As forças federais atacam os revoltosos e bombardeiam São Paulo. Morrem mais de 500 pessoas e 5.000 feridos.

Em seguida os rebeldes batem em retirada e se refugiam no interior do Paraná.

No Rio Grande do Sul 3 destacamentos revoltosos, comandados pelo tenente Luís Carlos Prestes, avançam até o Paraná e se juntam as tropas revolucionárias paulistas.

Em 29 de abril de 1925 iniciam sua longa marcha pelo interior do Brasil em defesa de seus ideais revolucionários.

 A marcha ficou conhecida como Coluna Prestes e contou com aproximadamente 1.500 homens.

 Percorreram cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do país entre sertões e florestas incentivando a população a lutar por seus direitos.

Foram dois anos e meio de caminhada por 11 estados com mais de 50 batalhas e apesar de serem duramente combatidos, nunca foram derrotados.

Os membros da Coluna Prestes exigiam o voto secreto, a reforma do ensino público, a obrigatoriedade do ensino primário, a moralização da política, e o fim das miseráveis condições de vida e exploração das camadas mais pobres.

Depois de muitas batalhas a Coluna fica enfraquecida e reduzida a 650 soldados. Em fevereiro de 1927, os membros oficializam a deposição das suas armas. Seus jovens comandantes se exilaram na Bolívia.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes não conseguiram derrubar o governo de Washington Luís.  

Entretanto, com a reputação adquirida na marcha vitoriosa, aumentaram o prestígio do tenentismo abalando ainda mais os alicerces da República Velha.

O esforço da Coluna Prestes preparou o terreno para a Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder.

Luís Carlos Prestes saiu da Coluna com o apelido de “Cavaleiro da Esperança” e tornou-se um dos grandes nomes da luta popular brasileira ao longo do século XX. Faleceu em 7 de março de 1990 na cidade do Rio de Janeiro, aos 92 anos.


quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Existencialismo - Jean Paul Sartre

 

Jean Paul Sartre (1905 – 1980)

Jean-Paul Sartre foi o expoente máximo do "existencialismo", corrente filosófica que prega a liberdade individual do ser humano.

Em 1943 publicou “O Ser e o Nada” , seu trabalho filosófico mais conhecido.

Além de tratados filosóficos, Sartre escreveu vários romances de sucesso.



Em 1964, renunciou o Prêmio Nobel de Literatura por repudiar a atenção pública a sua pessoa. Era um pensador militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra

Neste episódio vamos entender alguns pontos centrais de sua filosofia.

 

O existencialismo surgiu entre as duas grandes guerras.

A brutalidade da primeira Guerra Mundial pôs fim a ideia de progresso que vários pensadores do século 18 e 19 afirmavam sobre a humanidade.

Na segunda guerra mundial o poder sem limites dos governos massacrou corpos com a mesma facilidade que demoliu a moralidade, a dignidade e a liberdade de cada ser humano.

Estes eventos colocaram em dúvida o conceito de humanidade como essência do indivíduo. Cai por terra a crença em uma natureza ou essência humana percebida apenas pelo pensamento e totalmente dissociada da realidade individual.

Agora interessa compreender e levar às últimas consequências o indivíduo realmente como ele é. Compreender o que é a existência individual e o que ela representa e não mais pensar em uma natureza humana universal.

%%%%

A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA.

O que é a essência?

A filosofia moderna se esforçou para compreender a essência humana. Entendia que para encontrar a essência de algo bastaria identificar sua principal qualidade. Por exemplo, a essência do ser humano é a racionalidade, pois como sua qualidade principal é o que o diferencia dos demais animais.  Logo, a racionalidade é a essência do homem, pois sem racionalidade uma criatura não pode ser homem.

-0-0-

Sartre inverte esta abordagem.  Diz que não existe qualquer essência que defina o homem antes de ele existir. Para conhecer o homem primeiramente devemos considerar sua existência e não sua essência. Isto significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo, e somente depois se define. Logo, não há uma natureza humana anterior a sua existência que possa ser considerada sua essência.

Um exemplo:

Ao olhar para um grampeador de papel, de antemão sabemos que sua principal qualidade é grampear, portanto sua utilidade é sua essência. Antes mesmo do grampeador ser produzido, ter existência física, seu criador já sabe de tudo que é necessário para fabricá-lo e para qual finalidade ele servirá. Sabe qual será o propósito de sua existência. Isto quer dizer que conhece a essência do grampeador mesmo antes deste existir.

Portanto, se o grampeador fosse um ser consciente, seria plenamente satisfeito e feliz, pois ao contrário do homem, conheceria a causa e a finalidade de sua existência, ou seja, realizar sua essência de grampear papeis. 

 

Porém, o homem, ao contrário do grampeador, surge no mundo sem uma  razão que o explique integralmente, sem uma essência e sem uma finalidade. O homem desconhece sua razão de existir. É durante sua existência que definirá o seu propósito.

Uma vez que não tem uma essência que o determine o homem não está determinado a ser alguma coisa. O homem será simplesmente aquilo que ele fará de si mesmo, não sendo nada mais do que isso.

 O homem cria sua essência no ato mesmo de sua existência.  Isto esclarece a famosa frase de  Sartre: “A existência precede a essência”.

%%%%

SER HUMANO CONDENADO A SER LIVRE

Já que o homem não nasce com uma essência ou finalidade definida, sua liberdade de escolha não é subordinada por qualquer definição anterior a sua existência.

Isto posto, podemos concluir com Sartre que a realidade humana só pode ser uma: a liberdade.

 O homem é liberdade, isso não quer dizer que ele a tem como uma qualidade, pois a liberdade não o define, não diz o que o ser humano é. Ela é a possibilidade para que ele escolha o que virá a ser.

Pelo fato de sermos liberdade, a única escolha que não podemos fazer é a de deixarmos de ser livres. Isto explica outra frase famosa de Sartre: o Homem está condenado a ser Livre.

Mas isso não é tudo

Somente aquele que é livre pode ser responsabilizado sobre seus atos e sua vida.

Escolher ser isto ou aquilo é afirmar o valor do que estamos escolhendo, o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem ser bom para todos.

Desse modo nossos atos criam a pessoa que queremos ser, mas simultaneamente também criam a imagem de pessoa que julgamos que todos devam ser.  Portanto, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira.

__________________________________________________________

Teoria das Ideias - Platão

Platão foi um filósofo grego que viveu entre 427-347 a.C

 Ele é considerado um dos maiores pensadores do mundo.

Como Aristóteles e Sócrates, é lembrado por ter desenvolvido as ideias e os pensamentos que formaram a atual cultura do Ocidente.

 Neste episódio vamos entender alguns pontos de sua Teoria das Ideias.




 Tudo o que experimentamos pelos sentidos. Tudo que vemos, ouvimos, tocamos, todas as coisas materiais estão em constante transformação.

  Estão em um fluxo continuo de mudança, deixando de ser o que são e passando a ser algo diferente.

  

Por exemplo, quando olhamos para uma rosa podemos pensar que ela é bonita, mais aí, a rosa envelhece e já não a achamos mais tão bela.

 Assim não é uma verdade absoluta dizer que a rosa é bonita, pois ela muda, e essa verdade não lhe serve mais.

 Por isso não conseguimos alcançar a verdade das coisas, pois quando achamos que a alcançamos ela já mudou, se transformou em algo diferente.

 Platão estava em busca do conhecimento.

 E para esta questão formulou uma teoria, segundo a qual, existem dois mundos: O mundo dos sentidos e o mundo das ideias.

 Para Platão é um engano achar que a realidade se resume ao mundo sensível.

Conhecimento só é conhecimento daquilo que não muda caso contrário é apenas uma opinião.

 A rosa não é mais bonita, ela mudou, pois ela faz parte do mundo sensível, que está em constante mudança. Entretanto, a ideia de rosa, que faz parte do mundo das ideias, não muda.  No mundo das ideais tudo é eterno e imutável.

 Por isso somente no mundo das ideias é possível alcançar a verdade absoluta. No mundo sensível a verdade é uma ilusão.

 A rosa que observamos no mundo dos sentidos é uma cópia, uma mera sombra da forma pura da rosa do mundo das ideias.

 Pense por exemplo em todas as árvores que você já viu. Elas não passam de uma representação inferior de uma ideia pura que existe no mundo das ideias. Essa fora pura é imaterial, por isso eterna e perfeita

 Temos uma infinidade de espécies de árvores com diferentes formas e tamanhos, entretanto, mesmo com todas as diferenças, a reconhecemos como árvore.

O que nos faz reconhecer a todas como árvore. O que elas têm em comum? Elas participam da mesma ideia perfeita eterna e imutável de árvore que está no mundo das ideias.

 Este mundo das ideias existe de verdade? Platão diz que sim e afirma que ele sustenta o mundo sensível. O mundo dos sentidos só é possível porque ele é uma cópia imperfeita do mundo das ideias.

 Em sua obra A República, no Livro VII, Platão elaborou uma metáfora que ajuda a esclarecer sua teoria das ideias.

 ALEGORIA DA CAVERNA

 Imagine alguns prisioneiros vivendo dentro de uma caverna; eles estão acorrentados e por isso só conseguem olhar para o fundo da caverna.

 Por traz deles há um caminho pelo qual algumas pessoas passam carregando coisas. Atrás do caminho há um fogo acesso que gera sombras no fundo da caverna para onde os prisioneiros estão olhando.

Para os prisioneiros essas sombras são a realidade. O tipo de compressão oferecido pelas sombras é justamente o mais superficial.

 Acontece que um dia um dos prisioneiros consegue sair da caverna. E quando sai da caverna ele vê a fogueira, as pessoas e os objetos que antes só conseguia ver através das sombras.

 Sai do mundo das aparências e entra no mundo das ideias.

Ele ve a verdadeira realidade, aquela que está além das aparências, e precisa de um tempo para se ajustar e perceber que o que ve agora é mais real do que o que via na caverna.

Os prisioneiros representam as pessoas que se deixam levar pela aparência dos sentidos e a confunde com a realidade.

 O homem que escapa da caverna representa aquele que vai além das impressões e sensações e tem seu comportamento orientado pela razão.

  Segundo Platão seriam os matemáticos e filósofos os homens mais aptos a deixar a caverna.


Aprender a Viver - Luc Ferry

 Luc Ferry é um filósofo francês, professor de filosofia, e político engajado. Foi Ministro da Educação da França entre 2002 a 2004.

Tem uma vasta Bibliografia. Em 2006 publicou o livro Aprender a Viver, o qual logo ficou entre os mais vendidos. Na obra ele mostra como a sabedoria pode ser o caminho para uma vida melhor, de uma maneira simples sem ser simplista.

Vamos partir de uma consideração muito simples, mas que é questão central de toda filosofia e de toda religião:

O ser humano é mortal, um ser finito, limitado no tempo e no espaço. Entretanto, diferente dos animais, é o único que tem consciência de que um dia vai morrer.

E é na tentativa de se livrar da ideia da morte, que o homem criou as religiões ou fez filosofia.

A religião promete a salvação, eliminando a ideia da morte com a ideia da vida eterna. Ou seja, somente pela fé em Deus alcançaremos esta salvação.

A filosofia, por outro lado, também pretende nos salvar, senão da morte, pelo menos das angústias que ela provoca. Para isso conta com nossas próprias forças e utiliza apenas nossa razão.

 A filosofia, diferente da religião, não elimina a ideia da morte, ao contrário ela nos ensina a morrer.

“Mortalidade” + “Consciência de ser mortal”    

Esta equação foi enfrentada ao longo da história de diversas maneiras: 

 A resposta da salvação na Filosofia grega

Para os gregos antigos a essência mais intima do mundo é a harmonia e a ordem, simultaneamente bela e justa, a qual chamavam de Cosmos ou razão universal. Uma estrutura viva, perfeita, divina e racional. O todo a qual tudo está contido.

Para eles a morte não é para ser temida, ela é apenas uma passagem, pois somos um fragmento eterno do Cosmos. Já que o universo é eterno, e nós somos para sempre um fragmento dele, não deixaremos jamais de existir. A morte não seria um aniquilamento, mas um modo diferente de ser.

Acreditavam que nesta fusão com o cosmos, o homem passaria de um estado pessoal e consciente para um estado impessoal e inconsciente, sem individualidade, ou seja, o indivíduo deixaria de ser o que é para se tornar um fragmento cósmico.

Para atingir esta salvação, para vencer o medo da morte, os gregos tinham que se esforçar para compreender a ordem cósmica; em seguida, fazer de tudo para imitá-la, e finalmente fundir-se nela e encontrar seu lugar na eternidade.

Esta foi a solução encontrada pelos gregos antigos para a salvação da morte.

A vitória do Cristianismo sobre a filosofia grega

Com a chegada do cristianismo o divino deixa de ser a ordem cósmica para encarnar em uma só pessoa – o Cristo. Para conseguir a salvação não se trata mais de pensar por si mesmo, mas de ter confiança num Outro. Esta é uma diferença profunda entre filosofia e religião.

O cristianismo promete a imortalidade pessoal, e não mais uma espécie de eternidade anônima e cósmica na qual somos apenas um fragmento inconsciente no universo.

O indivíduo permanece ele mesmo, com sua alma, com seu corpo, seu rosto e sua consciência. Esta salvação só é possível pela graça de Deus. A resposta cristã é irresistível, é melhor e seguramente a mais eficaz de todas.

A ideia de salvação do Cristianismo vence aquela oferecida pela filosofia grega, mas nos convida a limitar o uso da razão dando lugar a fé como única forma de entrar em contato com o Divino.

 Filosofia Moderna

O mundo moderno vai nascer com a reavaliação dos dogmas da religião e o enfrentamento de sua autoridade.  Mas também vão contra a interpretação dos gregos antigos sobre a harmonia do universo.  

Para os modernos o mundo não é acabado, não é ordenado, mas sim, caótico e desprovido de sentido, um campo de forças e de objetos que se chocam.

Nesta época a física moderna fragilizou os princípios da religião cristã. Temas como a idade da terra, sua situação em relação ao Sol, a data do nascimento do homem e a teoria das espécies abalaram a autoridade da religião. O homem moderno adquiri uma atitude de dúvida e espirito crítico.

As antigas soluções de salvação se tornam cada vez mais fracas diante da ciência.

 No mundo moderno o homem se encontra só, privado do socorro do cosmos e de Deus. Ficou órfão.

E agora? Como enfrentar a finitude da existência, a morte de todas as coisas, se não há mais um princípio superior a recorrer?

 Modernidade

Os pós-modernos criaram utopias humanas, por demais humanas, para tentar a salvação:

Foi o período da criação das religiões de salvação terrestre:

 o cientificismo, o patriotismo, o nazismo, o comunismo e demais “ismos”.

Não tendo uma ordem cósmica e não mais acreditando em Deus, os pós-Modernos inventaram religiões sem Deus: agarraram-se em ideologias que pudessem dar um sentido a existência humana e que se justificassem a ponto de viver ou morrer por elas.

Tiveram o trágico mérito de reinventar ideais superiores, mas diferente dos gregos e dos cristãos, buscaram a salvação na própria humanidade.

Salvar a vida ou justificar a morte tem o mesmo sentido quando se sacrifica por uma causa superior: a revolução, a pátria, a ciência.

 Com estes novos ídolos salvaram sua fé e escaparam do medo da morte, entretanto ao preço de muito sangue derramado.

 

Uma proposta de salvação para os tempos atuais:

Se não temos a salvação da morte pelo cosmos, pela religião, pela ciência ou por ideologias, temos que tentar outra solução.

Uma solução humanista que encontre um novo modo de responder à questão do sentido da vida.

O Pensamento alargado

Em oposição ao pensamento limitado o pensamento alargado é aquele que consegue arrancar-se de si para se colocar no lugar do outro. O objetivo não é somente para compreendê-lo, mas também, no momento em que se volta para si, olhar seus próprios juízos do ponto de vista do outro.

Como alguém já disse: é preciso sair da ilha para ver a ilha.

Assumindo o ponto de vista dos outros, o espírito alargado consegue contemplar o mundo como um espectador interessado e bem-intencionado. Poderíamos chamar este processo de humanização do humano. É neste ponto que a questão do sentido e da salvação se unem.

 


O Livro Aprender a Viver de Luc Ferry nos deixa uma profunda mensagem para reflexão:

“Para que serve envelhecer? Para isso, e talvez para mais nada.

Para alargar a visão,

aprender a amar a singularidade dos seres, assim como a das obras,

e ás vezes, quando esse amor é intenso,

 viver a supressão do tempo que sua presença pode nos dar.”

Por que ser Estoico?

 Tal como a Academia de Platão ou o Liceu de Aristóteles, o estoicismo se tornou uma das maiores escolas filosóficas da antiguidade.



 Os filósofos estoicos se reuniam sob o pórtico dos templos daí a denominação stoikós ou "filósofos do pórtico". 

O estoicismo produziu alguns dos maiores pensadores da época.  Desde Epiteto, um ex-escravo, até Marco Aurélio, o poderoso o imperador romano. 

Neste episódio vamos compreender um dos pontos fundamentais do Estoicismo. 

Um pilar central do Estoicismo é a ideia básica de que algumas coisas dependem de nós e outras não.

Podemos dividir tudo o que fazemos nessas duas classes de coisas: aquelas que não temos controle  (...) e aquelas que temos controle.

 E em seguida nos preocuparmos apenas com aquelas coisas às quais estão sob nosso controle, isto é, aquelas que dependem de nós. ...

As coisas que não estão sob nosso controle, não são nem boas nem más, são indiferentes.

 Não podem ser escolhidas por nós, entretanto o uso que fazemos delas sim, pode ser bom ou mau e está sob o nosso controle. ...

O que depende e o que não depende de nós?

 Podemos controlar nossos e desejos e impulsos. ...

Também podemos rever nossas opiniões. Tudo isso está sob nosso controle.


 Porém, as coisas exteriores, inclusive nosso corpo, seguem leis contidas em sua natureza: os objetos do mundo seguem as leis da física; os animais, seus instintos; os demais humanos, suas próprias escolhas. Sobre isso não temos controle.  Essas coisas não podem ser escolhidas por nós.

Vamos a um simples exemplo. Imagine uma chuva inesperada que atrapalhou seus planos.

 Não adiante ficar aborrecido e reclamar da chuva. Ela pertence aquela classe de coisas que não temos controle.

 Podemos decidir sair de casa ou não, pegar um guarda-chuva ou tomar banho de chuva. Estas escolhas estão em nosso poder, sob nosso controle.

 É neste momento que devemos usar a razão e fazer o melhor que podemos com aquilo que temos.

Há uma metáfora estoica que ilustra bem esta questão:

 Imagine um arqueiro que está tentando atingir um alvo. 

O que está sob seu controle do arqueiro?

 Praticar arco e flecha diariamente.

 Escolher o melhor arco e flechas e cuidar bem deles.

 Pode mirar com precisão até um segundo antes de soltar a flecha.

 Mas depois disso, as coisas estão totalmente fora do seu controle.

  O vento pode desviar a flecha, o alvo pode se mover, ainda mais se for um soldado inimigo, e ele errar.

 Você não deve atribuir sua autoestima ao resultado, não deve se apegar-se emocionalmente a ele., pois não está sob seu controle.

Mas deve se esforçar ao máximo naquilo que está sob seu controle, ou seja, a sua tentativa de disparo. 

 Então o que fazer?

 De acordo com os estoicos, o próprio acerto ao alvo seria algo a ser escolhido, mas nunca “desejado”.

Devemos nos preocupar apenas com nossas intenções e esforços, porque estes estão sob nosso controle.

 Significa que devemos passar pela vida sem preocupação com os resultados, porque estes estão fora de nós, não estão sob nosso controle.

 Não devemos desejar aquilo que não temos e que não somos, ..........mas desejar o que temos e o que somos(....) é viver uma vida com plena liberdade e sem perturbações.

 Máximas estoicas:

 “Você tem poder sobre sua mente – não sobre eventos externos. Perceba isso e você encontrará a sua força.” – Marco Aurélio.

 

“O homem não se preocupa tanto com problemas reais quanto com as ansiedades imaginadas sobre problemas reais” – Epicteto.

 

“Estamos mais frequentemente assustados do que feridos; e sofremos mais na imaginação do que na realidade. ” – Sêneca.

A Revolta de Canudos

A Revolta de Canudos envolve um conflito que durou de 1896 a 1897 entre o exército brasileiro e os sertanejos que viviam numa comunidade autossuficiente dirigida pelo líder religioso Antônio Conselheiro.



Hoje vamos entender porque Canudos é um dos movimentos sociais mais importantes da América do Sul e culminou na maior guerra civil do Brasil.

Havia cinco anos que fora abolida a escravidão e quatro que fora proclamada a República quando Antonio Conselheiro e seus seguidores chegaram na localidade de Belo Monte ,no nordeste da Bahia, dando origem ao Arraial de Canudos.

A situação social do nordeste no final do século XIX era terrível. A fome, a seca, o desemprego, e a concentração de terras na mão de uns poucos eram causa da miséria crônica do povo nordestino.

Sem acesso à terra e sem trabalho, grupos de ex-escravos e os caboclos sertanejos vagavam pelas estradas e sertões.

Essa gente paupérrima agrupou-se em torno do discurso de salvação e acolhimento do Conselheiro.

Canudos se tornou a terra  prometida, um outro Brasil, que chegou a ter 25.000 habitantes. 

Na comunidade criada por Antonio Conselheiro não existia diferença social,  os rebanhos e as lavouras pertenciam a todos. A produção era suficiente para suprir seus habitantes e vender os excedentes.  Esse modelo de sociedade e economia atraía milhares de sertanejos.

Porém, para os padres que perdiam fiéis, e os proprietários de terra que perdiam trabalhadores,  era um “reduto de fanáticos” que devia ser eliminado.

Os jornais diziam que Antônio Conselheiro era monarquista e liderava um movimento para derrubar a República. 

 Mas a verdade era que Antonio Conselheiro, responsabilizava a República pelo sofrimento da população.  Na sua simplicidade, para ele o governo era a materialização do reino do Anticristo na Terra. 

A região sudeste, mais desenvolvida, queria a destruição de Canudos. E logo esta também foi a “opinião pública” nacional.

Era o Brasil das elites urbanas contra o Brasil de pobres e miseráveis que tinham encontrado a esperança e uma forma de sobrevivência.


Bertrand Russell: A conquista da felicidade

 Como alcançar a felicidade: o foco está no exterior

Para Bertrand Russell, fechar-se para o mundo só leva à tristeza e tédio. Se nos concentrarmos em nossos problemas, falhas, lacunas, medos, etc., só perderemos o entusiasmo pela vida.



Em contrapartida, se nos focamos em seus aspectos externos, a vida se torna mais simples. Esses aspectos externos compreendem muitas realidades. Conhecimento, outras pessoas, trabalho, passatempos, etc. Tudo isso torna a vida mais interessante e gratificante.

Bertrand Russell aponta que atitudes expansivas trazem alegria. Elas também são, em si mesmas, uma fonte de energia e motivação. E ainda fornecem elementos para ter mais força na solução de seus próprios problemas.

A maneira de cultivar a atitude expansiva

A atitude expansiva não nasce espontaneamente, mas é necessário cultivá-la. Para B. Russell, permanecer distraído nas atividades cotidianas é uma atitude que abre a porta para a felicidade. Não é para afastar-se da introspecção ou da reflexão sobre si mesmo, porque isso levaria a uma vida banal. Mas seria uma questão de encontrar um equilíbrio particular que não teria nada a ver com colocar o ponto de apoio em um lugar equidistante dos extremos.

Nesse sentido, também é importante escolher o momento certo e o modo certo. Há um tempo para pensar sobre si mesmo e outro para se concentrar no externo. Pense nos seus próprios problemas apenas quando faz sentido fazê-lo; no resto do tempo, teríamos que voltar nossa atenção para o exterior.

O que Bertrand Russell propõe é o cultivo de uma mente ordenada. Se isso for alcançado, a mente sempre será mais clara e mais orientada para o presente. Quando você pensa sobre si mesmo, você deve fazê-lo com racionalidade e concentração máxima. Também teríamos que questionar nosso próprio raciocínio para determinar sua validade.

A própria vida de Bertrand Russell demonstra algo que ele afirmou mais tarde: a felicidade é uma conquista. Não é dada por geração espontânea, nem vem de fora. A capacidade de ser feliz é precisamente isso: uma capacidade que deve ser trabalhada, cultivada e realizada. Para isso, é indispensável ter duas virtudes: esforço e resignação.

O esforço é para que direcione as energias para o trabalho que permite alcançar algo desejado. Isso implica determinação e perseverança também. Nada de realmente valioso é alcançado da noite para o dia. E ser feliz muito menos. Portanto, é importante cultivar esse atributo que permite reunir e direcionar os esforços para alcançar os objetivos.

Outra das virtudes indispensáveis ​​para conquistar a felicidade, diz Russell, é a resignação. Talvez seja mais preciso falar “aceitação”. A vida traz situações que são inevitáveis ​​e impossíveis de resolver. A morte, a doença incurável ou as perdas definitivas poderiam ser exemplos.

Embora certas situações não possam ser revertidas, o que podemos fazer é aumentar nossa capacidade de aceitá-las. Não perca tempo tentando resolvê-las ou deixando-as tirar nossa paz escrevendo-as em nossa história de uma maneira que não nos fará bem.

Bertrand Russell era um dos homens mais brilhantes de sua época. Seu pensamento continua em pleno vigor. Ele deixou de ser um menino órfão e triste que se sentia perdido no mundo para se tornar um dos mais importantes intelectuais do planeta. O melhor sustento para suas palavras foi sua própria vida e suas próprias realizações.

A Guerra do Contestado

A Guerra do Contestado foi um conflito entre a população sertaneja e as autoridades municipais e estaduais do Paraná e Santa Catarina ocorrido entre os anos de 1912 a 1916 envolvendo cerca de 20 mil camponeses.



Por volta de 1900 o governo brasileiro contrata uma empresa norte-americana para construir uma estrada de ferro.

Uma ferrovia para ligar São Paulo ao Rio Grande do sul. Com a construção da ferrovia milhares de camponeses perderam suas terras, pois a empresa recebeu de presente do governo uma faixa de terra de 30 quilômetros de largura em quase toda a extensão da ferrovia. 

Outro agravante foi que após o termino da construção mais de 8 mil trabalhadores contratados para as obras foram demitidos. Estes desempregados e a miséria crescente na região formaram um clima de revolta fértil para surgimento de pregadores messiânicos. Diante da crise e da insatisfação popular, ganhou força a figura do beato José Maria.  Suas ideias bíblicas e histórias medievais conquistaram a simplicidade dos sertanejos.

Ele pregava a criação de um mundo novo, regido pelas leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com prosperidade, justiça e terras para trabalhar.

José Maria reúne 2 mil seguidores no acampamento e funda uma sociedade sem comércio e sem propriedade privada, formada principalmente por camponeses sem terras.

O governo Incomodado com o movimento envia policiais e soldados do exército para o local, com o objetivo de acabar com o movimento.

As tropas invadem o acampamento, mas são rechaçadas pelos sertanejos. Armados de espingardas de caça, facões e enxadas, os camponeses resistiram as forças governistas. José Maria morre na batalha, mas se transforma em mito.

 Na sequência os sertanejos conseguem vencer sete expedições militares.

Em 1914 os rebeldes matam em batalha o capitão do exército Mattos Costa. Então o governo organiza uma grande operação para esmagar os sertanejos.

Entra em cena o General Setembrino de Carvalho com mais de 7 mil homens muito bem armados inclusive com aviões de reconhecimento.

Em 1916, os últimos redutos se rendem

As classes dominantes mantem seus privilégios, os rebeldes são massacrados e um saldo de 20 mil mortos escurece mais um período da história do Brasil.

O contestado não teve a visibilidade pública que tiveram outros movimentos sertanejos. O próprio estado catarinense nunca quis transformar o contestado em algo memorável.

A oligarquia local resolveu esconder o contestado para construir a imagem de um estado branco ao estilo europeu. A divulgação do conflito mostraria um Brasil muito caboclo, moreno e mestiço.

O ensino de história durante muitas décadas simplesmente ignorou esse conflito de grandes proporções.

 


A Revolução de 1930

 A Revolução de 1930 foi um golpe de Estado que depôs o presidente Washington Luís, no dia 24 de outubro de 1930.

O movimento foi articulado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul e impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes, sob alegação de fraude eleitoral.

Também contribuíram a favor do movimento, o desgosto popular em função da crise econômica de 1929 e o assassinato do político paraibano João Pessoa.




Contexto Histórico

Até 1930 a política no Brasil era conduzida pelas oligarquias de Minas Gerais e São Paulo, por meio de eleições fraudulentas e que mantinham o país sob um regime econômico agroexportador.

As elites paulista e mineira alternavam a presidência da República elegendo candidatos que defendiam seus interesses. Este sistema político ficou conhecido como "política do café com leite" ou política dos governadores.

O modelo funcionou até os demais estados brasileiros crescerem em importância e reivindicarem mais espaço no cenário político brasileiro.

Por outro lado, a Crise de 1929, atingiu a economia brasileira, provocando desemprego e dificuldades financeiras.

O fato do Brasil ser um país de monocultura cafeeira fez que a crise fosse profunda, pois as exportações do produto caíram vertiginosamente. A crise econômica contribuiu para o clima de insatisfação popular com o governo de Washington Luís.

Igualmente, havia o descontentamento de oficiais de baixa patente do exército, os quais desejavam derrubar as oligarquias e instaurar uma nova ordem no Brasil.

Devemos lembrar que os tenentes já haviam mostrado seu desagrado com a situação política brasileira através de episódios como a Revolta do Forte de Copacabana ou na Revolta Paulista de 1924.

Eleições Presidenciais de 1930

No início de 1929, Washington Luís nomeou o presidente de São Paulo, Júlio Prestes, como seu sucessor. Esta medida foi apoiada por presidentes de 17 províncias.

A indicação de Júlio Prestes rompia com a alternância de poderes entre Minas e São Paulo, por isso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, não deram suporte à Prestes.

Estas províncias se aliaram aos políticos de oposição e criaram a Aliança Liberal. Desta maneira, os candidatos desta agrupação foram o presidente do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas e, para vice, o presidente da Paraíba, João Pessoa.

 

Tudo parecia indicar a vitória de Júlio Prestes e assim aconteceu. Nas eleições realizadas em março de 1930, Júlio Prestes foi eleito com grande maioria de votos (1.091.709), contra 742.794 de Getúlio Vargas.

 

Diante dos resultados, a Aliança Liberal alegou fraude e rejeitou a validade das eleições.

 

Assassinato de João Pessoa

Pouco tempo depois, em julho de 1930, João Pessoa foi assassinado pelo advogado João Dantas (1888-1930) em Recife.

Acredita-se que o crime tenha ocorrido por razões pessoais e ligadas à política paraibana, mas a morte do candidato a vice-presidente transformou-se numa questão nacional.

A indignação toma conta do país. Mesmo sem apoio, o presidente Washington Luís não pretendia renunciar ao poder.

Assim, em 3 de outubro os militares liderados por Getúlio Vargas, no sul, e Juarez Távora (1898-1975), no norte, convergem para o Rio de Janeiro.

Ao chegarem na capital, forma-se a Junta Governativa, pelos três ministros militares Tasso Fragoso, Mena Barreto e Isaías de Noronha.

Diante dos militares, Washington Luís declara que só sairia do cargo preso ou morto. Imediatamente, a Junta Governativa o prende e o leva ao Forte Copacabana, onde permaneceria até novembro e dali partiria para o exílio na Europa.

Com isso, Getúlio Vargas tornou-se chefe do Governo Provisório com amplos poderes, revogando a constituição de 1891 e governando por decretos. Da mesma forma, nomeou seus aliados para interventores (governadores) das províncias brasileiras.

Governo Provisório de Vargas

Os aliados de Getúlio Vargas esperavam que o novo presidente convocasse eleições gerais para formar uma Assembleia Constituinte, mas o assunto era sempre adiado.

Cansados de esperar, várias vozes começaram a criticar o governo provisório como o partido comunista, a Aliança Nacional Libertadora, os paulistas, etc.

Em São Paulo, cresce o movimento pedindo eleições presidenciais e uma Constituição. Diante da negativa do governo central e do aumento da repressão policial, o estado de São Paulo, declara guerra ao governo no episódio que será conhecido como a Revolução de 1932.

A Revolta do Forte de Copacabana

Revolta do Forte Copacabana foi a primeira revolta tenentista na República Velha. Sua importância está no simbolismo do sacrifício dos revol...