quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Existencialismo - Jean Paul Sartre

 

Jean Paul Sartre (1905 – 1980)

Jean-Paul Sartre foi o expoente máximo do "existencialismo", corrente filosófica que prega a liberdade individual do ser humano.

Em 1943 publicou “O Ser e o Nada” , seu trabalho filosófico mais conhecido.

Além de tratados filosóficos, Sartre escreveu vários romances de sucesso.



Em 1964, renunciou o Prêmio Nobel de Literatura por repudiar a atenção pública a sua pessoa. Era um pensador militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra

Neste episódio vamos entender alguns pontos centrais de sua filosofia.

 

O existencialismo surgiu entre as duas grandes guerras.

A brutalidade da primeira Guerra Mundial pôs fim a ideia de progresso que vários pensadores do século 18 e 19 afirmavam sobre a humanidade.

Na segunda guerra mundial o poder sem limites dos governos massacrou corpos com a mesma facilidade que demoliu a moralidade, a dignidade e a liberdade de cada ser humano.

Estes eventos colocaram em dúvida o conceito de humanidade como essência do indivíduo. Cai por terra a crença em uma natureza ou essência humana percebida apenas pelo pensamento e totalmente dissociada da realidade individual.

Agora interessa compreender e levar às últimas consequências o indivíduo realmente como ele é. Compreender o que é a existência individual e o que ela representa e não mais pensar em uma natureza humana universal.

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A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA.

O que é a essência?

A filosofia moderna se esforçou para compreender a essência humana. Entendia que para encontrar a essência de algo bastaria identificar sua principal qualidade. Por exemplo, a essência do ser humano é a racionalidade, pois como sua qualidade principal é o que o diferencia dos demais animais.  Logo, a racionalidade é a essência do homem, pois sem racionalidade uma criatura não pode ser homem.

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Sartre inverte esta abordagem.  Diz que não existe qualquer essência que defina o homem antes de ele existir. Para conhecer o homem primeiramente devemos considerar sua existência e não sua essência. Isto significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo, e somente depois se define. Logo, não há uma natureza humana anterior a sua existência que possa ser considerada sua essência.

Um exemplo:

Ao olhar para um grampeador de papel, de antemão sabemos que sua principal qualidade é grampear, portanto sua utilidade é sua essência. Antes mesmo do grampeador ser produzido, ter existência física, seu criador já sabe de tudo que é necessário para fabricá-lo e para qual finalidade ele servirá. Sabe qual será o propósito de sua existência. Isto quer dizer que conhece a essência do grampeador mesmo antes deste existir.

Portanto, se o grampeador fosse um ser consciente, seria plenamente satisfeito e feliz, pois ao contrário do homem, conheceria a causa e a finalidade de sua existência, ou seja, realizar sua essência de grampear papeis. 

 

Porém, o homem, ao contrário do grampeador, surge no mundo sem uma  razão que o explique integralmente, sem uma essência e sem uma finalidade. O homem desconhece sua razão de existir. É durante sua existência que definirá o seu propósito.

Uma vez que não tem uma essência que o determine o homem não está determinado a ser alguma coisa. O homem será simplesmente aquilo que ele fará de si mesmo, não sendo nada mais do que isso.

 O homem cria sua essência no ato mesmo de sua existência.  Isto esclarece a famosa frase de  Sartre: “A existência precede a essência”.

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SER HUMANO CONDENADO A SER LIVRE

Já que o homem não nasce com uma essência ou finalidade definida, sua liberdade de escolha não é subordinada por qualquer definição anterior a sua existência.

Isto posto, podemos concluir com Sartre que a realidade humana só pode ser uma: a liberdade.

 O homem é liberdade, isso não quer dizer que ele a tem como uma qualidade, pois a liberdade não o define, não diz o que o ser humano é. Ela é a possibilidade para que ele escolha o que virá a ser.

Pelo fato de sermos liberdade, a única escolha que não podemos fazer é a de deixarmos de ser livres. Isto explica outra frase famosa de Sartre: o Homem está condenado a ser Livre.

Mas isso não é tudo

Somente aquele que é livre pode ser responsabilizado sobre seus atos e sua vida.

Escolher ser isto ou aquilo é afirmar o valor do que estamos escolhendo, o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem ser bom para todos.

Desse modo nossos atos criam a pessoa que queremos ser, mas simultaneamente também criam a imagem de pessoa que julgamos que todos devam ser.  Portanto, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira.

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