Jean Paul Sartre (1905 – 1980)
Jean-Paul Sartre foi o expoente
máximo do "existencialismo", corrente filosófica que prega a
liberdade individual do ser humano.
Em 1943 publicou “O Ser e o Nada” ,
seu trabalho filosófico mais conhecido.
Além de tratados filosóficos, Sartre
escreveu vários romances de sucesso.
Em 1964, renunciou o Prêmio Nobel de
Literatura por repudiar a atenção pública a sua pessoa. Era um pensador
militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra
Neste episódio vamos entender alguns
pontos centrais de sua filosofia.
O existencialismo surgiu entre as
duas grandes guerras.
A brutalidade da primeira Guerra
Mundial pôs fim a ideia de progresso que vários pensadores do século 18 e 19
afirmavam sobre a humanidade.
Na segunda guerra mundial o poder sem
limites dos governos massacrou corpos com a mesma facilidade que demoliu a
moralidade, a dignidade e a liberdade de cada ser humano.
Estes eventos colocaram em dúvida o
conceito de humanidade como essência do indivíduo. Cai por terra a crença em
uma natureza ou essência humana percebida apenas pelo pensamento e totalmente
dissociada da realidade individual.
Agora interessa compreender e levar
às últimas consequências o indivíduo realmente como ele é. Compreender o que é
a existência individual e o que ela representa e não mais pensar em uma
natureza humana universal.
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A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA.
O que é a essência?
A filosofia moderna se esforçou para
compreender a essência humana. Entendia que para encontrar a essência de algo
bastaria identificar sua principal qualidade. Por exemplo, a essência do ser
humano é a racionalidade, pois como sua qualidade principal é o que o diferencia
dos demais animais. Logo, a racionalidade é a essência do
homem, pois sem racionalidade uma criatura não pode ser homem.
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Sartre inverte esta abordagem. Diz que não existe qualquer essência que
defina o homem antes de ele existir. Para conhecer o homem primeiramente devemos
considerar sua existência e não sua essência. Isto significa que o homem
primeiramente existe, se descobre, surge no mundo, e somente depois se define.
Logo, não há uma natureza humana anterior a sua existência que possa ser
considerada sua essência.
Um exemplo:
Ao olhar para um grampeador de papel,
de antemão sabemos que sua principal qualidade é grampear, portanto sua utilidade
é sua essência. Antes mesmo do grampeador ser produzido, ter existência física,
seu criador já sabe de tudo que é necessário para fabricá-lo e para qual
finalidade ele servirá. Sabe qual será o propósito de sua existência. Isto quer
dizer que conhece a essência do grampeador mesmo antes deste existir.
Portanto, se o grampeador fosse um
ser consciente, seria plenamente satisfeito e feliz, pois ao contrário do
homem, conheceria a causa e a finalidade de sua existência, ou seja, realizar
sua essência de grampear papeis.
Porém, o homem, ao contrário do grampeador,
surge no mundo sem uma razão que o
explique integralmente, sem uma essência e sem uma finalidade. O homem
desconhece sua razão de existir. É durante sua existência que definirá o seu
propósito.
Uma vez que não tem uma essência que
o determine o homem não está determinado a ser alguma coisa. O homem será simplesmente aquilo
que ele fará de si mesmo, não sendo nada mais do que isso.
O homem cria sua essência no ato mesmo de sua
existência. Isto esclarece a famosa
frase de Sartre: “A existência precede a
essência”.
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SER HUMANO CONDENADO A SER LIVRE
Já que o homem não nasce com uma
essência ou finalidade definida, sua liberdade de escolha não é subordinada por
qualquer definição anterior a sua existência.
Isto posto, podemos concluir com Sartre
que a realidade humana só pode ser uma: a liberdade.
O homem é liberdade, isso não quer dizer que
ele a tem como uma qualidade, pois a liberdade não o define, não diz o que o
ser humano é. Ela é a possibilidade para que ele escolha o que virá a ser.
Pelo fato de sermos liberdade, a
única escolha que não podemos fazer é a de deixarmos de ser livres. Isto
explica outra frase famosa de Sartre: o
Homem está condenado a ser Livre.
Mas isso não é tudo
Somente aquele que é livre pode ser
responsabilizado sobre seus atos e sua vida.
Escolher ser isto ou aquilo é afirmar
o valor do que estamos escolhendo, o que escolhemos é sempre o bem e nada pode
ser bom para nós sem ser bom para todos.
Desse modo nossos atos criam a pessoa
que queremos ser, mas simultaneamente também criam a imagem de pessoa que
julgamos que todos devam ser. Portanto,
a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja
a humanidade inteira.
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