A Revolta de Canudos envolve um conflito que durou de 1896 a 1897 entre o exército brasileiro e os sertanejos que viviam numa comunidade autossuficiente dirigida pelo líder religioso Antônio Conselheiro.
Hoje vamos entender porque Canudos é um dos movimentos sociais mais importantes da América do Sul e culminou na maior guerra civil do Brasil.
Havia cinco anos que fora abolida a escravidão e quatro que fora proclamada a República quando Antonio Conselheiro e seus seguidores chegaram na localidade de Belo Monte ,no nordeste da Bahia, dando origem ao Arraial de Canudos.
A situação social do nordeste no final do século XIX era terrível. A fome, a seca, o desemprego, e a concentração de terras na mão de uns poucos eram causa da miséria crônica do povo nordestino.
Sem acesso à terra e sem trabalho, grupos de ex-escravos e os caboclos sertanejos vagavam pelas estradas e sertões.
Essa gente paupérrima agrupou-se em torno do discurso de salvação e acolhimento do Conselheiro.
Canudos se tornou a terra prometida, um outro Brasil, que chegou a ter 25.000 habitantes.
Na comunidade criada por Antonio Conselheiro não existia diferença social, os rebanhos e as lavouras pertenciam a todos. A produção era suficiente para suprir seus habitantes e vender os excedentes. Esse modelo de sociedade e economia atraía milhares de sertanejos.
Porém, para os padres que perdiam fiéis, e os proprietários de terra que perdiam trabalhadores, era um “reduto de fanáticos” que devia ser eliminado.
Os jornais diziam que Antônio Conselheiro era monarquista e liderava um movimento para derrubar a República.
Mas a verdade era que Antonio Conselheiro, responsabilizava a República pelo sofrimento da população. Na sua simplicidade, para ele o governo era a materialização do reino do Anticristo na Terra.
A região sudeste, mais desenvolvida, queria a destruição de Canudos. E logo esta também foi a “opinião pública” nacional.
Era o Brasil das elites urbanas contra o Brasil de pobres e miseráveis que tinham encontrado a esperança e uma forma de sobrevivência.
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